"A revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto"  (Rm. 16:25).

    "Deus descobriu-nos o mistério de sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em si mesmo de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Ef. 1:9 e 10).

    "O mistério manifestado pela revelação...o mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros e de um mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; ...e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus ...para que agora pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus" (Ef. 3:2 a 10).

    "O mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que agora foi manifesto aos santos aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós" (Cl. 1:26 e 27).

    "O mistério de Deus - Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl. 2:2 e 3).

    "Deus pode abrir a porta para a nossa mensagem, para que possamos proclamar o mistério de Cristo"... (Cl. 4:3)
 


 

 

O mistério de Deus Pai

 


 



    O apóstolo Pedro disse em sua epístola: "Paulo vos escreveu segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras para sua própria destruição" (2 Pe. 3:16).

    Todos os textos mencionados acima revelam que um grande mistério permaneceu escondido em tempos remotos e esse mistério se refere ao nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estavam ocultos e selados enquanto Jesus não tinha ainda se manifestado.

    O mistério consiste no fato de que, embora sendo em forma de Deus, Jesus não se ensoberbeceu a ponto de pretender ser igual a Deus, tornando-se semelhante aos homens, havendo sido exaltado até a estatura do Pai justamente por causa desse sentimento de humildade e obediência (Fl. 2:6 a 9)
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O Filho foi exaltado pelo Pai
 

    Todos querem receber glória e serem exaltados, mas Cristo fez o caminho inverso, humilhando-se a si mesmo e preferindo se submeter ao Pai ao invés de ser beneficiado com as bênçãos materiais do reino terreno de Jeová.
    "Não há Deus, senão um, pois embora se alguns são chamados deuses, há somente um Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas boas e por quem vivemos, e há somente um Senhor, Jesus Cristo, através de quem temos vida" (1 Co. 8:4 a 6)
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Hoje eu te gerei como Pai...
 

    Em 2 Coríntios 8:9 nós lemos sobre a graça de Cristo, o qual sendo rico, por amor de nós se fez pobre, para que pela sua pobreza enriquecêssemos.

    Devido à sua promoção após a ressurreição, Jesus passou do estágio de natureza humana corruptível à condição de Deus absoluto, em igualdade de poder com o Pai, havendo recebido um nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória do Deus Pai (Filipenses 2:5 a 11).
 
    Jesus foi declarado Filho de Deus em poder, pela ressurreição dos mortos (Rm. 1:4). Ele disse após a ressurreição: "Todo o poder me foi dado no céu e na terra".
 
    Segundo Hebreus 1:5, o Pai disse a Jesus: "Tu és meu Filho, hoje eu te gerei". Isto significa que antes da decisão de ficar ao lado do Pai, Jesus não tinha a glória total e absoluta, bem como a supremacia sobre os anjos, pois Ele foi feito temporariamente "um pouco menor do que os anjos" (Hb. 2:9).
 

    Em Atos 2:36 lemos que Deus fez de Jesus, Senhor e Cristo. Se em um certo período da história, durante os dias de vida de Jesus neste mundo Ele "ofereceu com grande clamor e lágrimas orações e súplicas ao que o podia livrar da morte" (Hb. 5:7), contudo Ele se tornou a causa da eterna salvação para todos que lhe obedecem e foi designado pelo Pai para ser o Sumo Sacerdote de um Novo Concerto. 
 
    Com respeito a esse fato, está escrito em Efésios 1:20 a 22 que Deus manifestou em Cristo a operação da força do seu poder ao ressuscitá-lo dos mortos e colocá-lo à sua direita nos céus, acima de todo principado, poder, potestade, domínio ou de qualquer título que possa ser dado a alguém, havendo-lhe sujeitado todas as coisas aos seus pés e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da Igreja.


 

O véu do Templo
 

    O véu do templo que rompeu-se de alto a baixo (Mt. 27:51) significa que o acesso livre para a presença do Pai agora está desimpedido.

    O véu do da cortina do templo que separava o lugar santo do lugar chamado "Santo dos Santos" significa também que a lei e os sacrifícios do Velho Testamento separavam o homem da presença de Deus (Hb. 8:1), mas agora através da carne de Jesus toda a barreira foi destruída e a parede de separação foi rompida (Ef. 2:14 a 16).

    Jesus foi levado ao céu e está à direita do Pai, tendo os principados e autoridades angélicas que se sujeitarem definitivamente a Ele (1 Pe. 3:22).
           
           
 

 



Mentira e verdade
 

    Exaltado por Deus Pai e colocado à sua destra, Jesus recebeu dele o prometido Espírito Santo (At. 2:33). Antes de Jesus ressuscitar dos mortos, o Espírito não havia sido dado, pois Jesus ainda não tinha sido glorificado (Jo. 7:39). 

    Jesus disse em João 10:7: "Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores" e em João 8:32 Ele declarou: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Essa declaração sugere um cumprimento posterior à lei e está relacionado com João 1:17..."Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

    Ora, se a verdade veio somente através dos ensinos de Jesus, então os judeus creram numa mentira através dos ensinos da lei.

    Em 1 João 5:19 e 20 está escrito que o mundo inteiro está debaixo do controle do "maligno" e que Jesus Cristo é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Quando o texto diz "verdadeiro Deus" isto significa que há um outro falso, que tenta usurpar o lugar do verdadeiro.

    De fato, o "deus deste século" cegou as mentes dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho de glória de Jesus Cristo, o qual é a imagem expressa de Deus (2 Co. 4:4). O motivo do Filho de Deus ter vindo foi destruir as obras do diabo é possibilitar o resgate da alma do homem (1 Jo. 3:8).

 


Concorrência pelo poder
 

    Quando Paulo diz em Fl.2:6 que “Jesus não teve por usurpação ser igual a Deus”, dá a entender que houveram tentativas nesse sentido contra o Deus Altíssimo.

    Nessa questão de usurpação de poder, Satanás pode estar levando sozinho a culpa, numa condição de “testa-de-ferro” de um superior. O texto de Ez. 28:12 a 17 parece ser uma profecia de Jeová acerca de si próprio. O fato de ter estado no Éden e ter usado como ornamento as pedras descritas no verso 13, correspondentes exatamente às pedras que estavam no peitoral do sumo-sacerdote (Ex. 28:17), parece confirmar esta hipótese.

    A disposição de submissão e obediência por parte de Jesus (Fl. 2:7), certamente conflitou com uma tendência geral a nível celestial de concorrência pelo poder, a qual certamente foi supervisionada pelo arcanjo Jeová.

    Por isso Paulo disse de forma tão enfática que Jesus teria toda condição para tentar usurpar autoritariamente o poder, mas não o fez, porque estava mais preocupado em honrar o Pai e cumprir o seu propósito na terra (Fl. 2:5 e 6).

    Quando Jesus voltou ao céu, os anjos que pretendiam usurpar o poder na sua ausência, tiveram antes que se sujeitarem a Ele (I Pe. 3:22) e adorá-lo (Hb. 1:6). Jesus foi então colocado à direita do Pai nos céus, acima de todo principado, potestade e domínios angelicais (Ef. 1:20 a 22), os quais foram por Ele definitivamente despojados (Cl. 2:15).

    Jesus foi exaltado em virtude de sua vida incorruptível (Hb. 7:16), embora humanamente falando, não era originário sequer de uma tribo qualificada para o sacerdócio (Hb. 7:13 a 16).

    Enfim, Paulo afirma em Ef. 3:8 a 10; Cl. 1:26 que houve um “mistério” que dizia respeito a Divindade, e mais especificamente a pessoa de Cristo, o qual ficaria oculto durante séculos, porem através da Igreja haveria de ser manifesto.
 


 
     

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